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 O brilho eterno da melancia!, Rp Fechado!
Ígor Fyodr
Posted: Apr 7 2009, 03:31 AM


Professor de EdT


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Era cinco e trinta da manha quando recebeu um lembrol. Sem saber exatamente porque deveria receber um e com o sono já perdido, ficou divagando nas próximas duas horas sobre um possível descuido. Seria tão mais simples se tivesse um dos instrumentos que os trouxas usam para marcar eventos importantes, como uma agenda.


Decidiu que deixaria a coisa fluir e não se perturbaria com esse “esquecimento”, afinal, poderia literalmente se esquecer de algo que não tinha conhecimento? Levantou-se e foi até a janela.


– Por Merlin, que dia lindo. – Ironizou. - Nenhum sinal do sol, os animais todos entocados, nuvens obesas prestes a derramar litros e litros de uma insana tempestade. Perfeito para um solitário como eu curar as amargas experiências num livro grosso e sombrio.


Ele estava com a razão, nunca tivera muita sorte com mulheres. Talvez o seu jeito reflexivo de ver as coisas e o gosto por peripécias, não fossem algo que atraia tanto as bruxinhas. E quanto as trouxas, raramente despertavam nele maiores interesses, mas quando apaixonou-se por uma não durou mais que vinte anos, a morte lhe bateu a porta como uma ceifadora triste e fiel às suas obrigações.
Desistiu então de procurar um ser que o completasse, mas jamais do amor. Resolveu dedicá-lo a arte de lesionar, e assim o faz com sucesso.


– Bingo.


Um soco seco no console, sinal de que tinha descoberto por que recebera a tal bolinha brilhante. Era o dia do grande encontro, dois cometas se encontrariam, vindos de galáxias distintas, causando um show de explosão a quem tivesse à disposição um mega telescópio.


Não que ele fosse ligado a essas coisas de astros e tal, mas sua falecida tinha o sonho de ver o tal acontecimento. E como nada no mundo real é justo, partiu sem ter tido a menor chance, a uns bons trinta anos antes da data de hoje! Costumava embriagar-se com o sofrimento, doía-lhe a alma pensar ser ela quem devia estar ali para viver aquele momento. Já não sentia o amor que há entre um casal, restou apenas um carinho e a impaciência pela falta de compreensão do mundo.


Relutando entre a idéia tentadora de deixar pra lá e o bom senso de velar a memória de Anita, ele decidiu optar pelo segundo. Arrastou-se com seu chinelo velho até o observatório, usava a primeira roupa que encontrara no armário com um sobretudo marrom por cima, o frio era penetrante aquela hora da manhã! Sentia uma incômoda sensação, era como estar muito próximo de algo além de sua capacidade emocional! Quando chegou à sala, nada demais havia ali.


Inesperadamente encontrou o recinto vazio, onde estariam todos os loucos, cientistas e adoradores do universo e seus fenômenos. Imaginou que ali não estavam por ser ainda muito cedo, mas na verdade é que pouco ali na escola curtir esse lance de “show cósmico”. Concentrou-se no objetivo daquela visita inesperada e foi direto ao mapa que estava pregado na parede, ali encontrou todas as coordenadas necessárias.

Com um aceno silencioso de varinha ajeitou tudo na grande máquina, que tinha em si acoplada um gigantesco tubo metálico contendo lentes nas duas extremidades! Tinha aprendido muita coisa com Anita, mas parecia estar enferrujado, pois precisou de alguns feitiços secundários até obter sucesso. Quando finalmente sentou-se na cadeira vermelha de camurça, reclinável e com porta copos, materializou então um delicioso café achocolatado desnatado e com um leve toque de Rum. Um de seus preferidos.


* Ok! Aqui vamos nós. - Pensou enquanto dava um gole na bebida quente, distraidamente.


De repente a porta se abriu de uma vez e tudo aconteceu muito rápido. Com o susto Ígor derrubou o que bebia em seu colo, deu solavanco que fez a cadeira cair pra trás com tanta força que o jogou metros a distancia, levando-o próximo a porta. Ainda caído ao chão e com uma queimação na parte interna das coxas e um pouquinho no quadril, encarou uma mulher. Ela era a professora Saya Kay que leciona astronomia em kolguev, só a tinha visto em reuniões entre professoras e vem por outra se esbarravam nos momentos comunitários, como almoço, jantar, essas coisas, nunca trocaram uma palavra.

– Olá professora... Kay, certo? Eu espero não tê-la assustado, perdão pela confusão, mas é que realmente estava distraído quando a senhora entrou. – Disse enquanto se ajeitava e usava um feitiço removedor de manchas e outro para secar sua calça.


* Nossa que confusão eu fui arrumar, ainda não consegui entender porque eu me assustei tanto. Só espero que ela não confunda com um tolo! – Pensou aguardando alguma resposta da linda nipônica a sua frente.

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